terça-feira, 18 de setembro de 2007

Ponta da Fruta: a cidade misteriosa


Foi numa manhã de dezembro que parti para aquela viagem. Eu ia para Ponta da Fruta, uma cidade da qual eu nunca antes ouvira falar.
Durante a viagem, passamos eu e minha família por vários outros lugares, enquanto a estrada se tornava cada vez mais estranha a cada quilômetro que passava. Aproximando-nos do destino, nos perdemos por ruas pequenas, tortuosas e escuras, e ficamos muito tempo rodando sem saber para onde ir. Passado algum tempo, eu, cansado, adormeci, e tive sonhos intrigantes sobre o lugar onde tentávamos chegar. Construções vivas, ávores ambulantes, seres místicos, animais estranhos e sóis coloridos me deixaram curioso sobre nosso destino.
Chegamos. Era uma escura e silenciosa. A cidade parecia inabitada. Todos cansados, não tivemos ânimo para conhecer o lugar de imediato, apenas concentramo-nos em localizar os quartos e dormir. Nesta noite não tive sonhos.
No dia que seguiu, enquanto o pessoal ficou para arrumar a casa, eu saí para dar uma olhada ao redor da casa, que aliás não era daquelas maravilhas da construção; poderia dizer uma bela de uma espelunca.
A julgar pelas redondezas, era uma cidade pequena e simples: ruas estreitas de terra, cheias de mato e árvores; vazias de gente. Havia também por perto um lago, que não me pareceu muito atraente, mas onde havia alguns banhistas. Perguntei pelo direção da praia. A cidade era no litoral. Seguindo o caminho, entrei por uma rua interessante. Havia, em ambos os lados, bambuzais que decaíam sobre ela, formando como que um túnel verde. Nas laterais, vi caravanas de caramujos gigantes, seguindo lentamente sua trilha para o desconhecido.
Chegando na praia, vi que havia um rochedo dividindo a dividindo em duas, e as duas partes formavam uma espécie de esquina. Do lado direito, a praia era calma,plana, quase sem ondas, com muitas algas e de uma areia fina e densa. No lado esquerdo, porém, o mar investia violentamente contra a areia grossa e salgada, que descia com notável inclinação em direção a ele. Havia diversos pés de sandálias sem par sobre as areias dessa praia. Vi que não devia me arriscar nessa segunda praia.
Voltando para a casa, arrumei meu aposento e contei ao pessoal sobre o que havia visto nas redondezas. Todos acharam muito estranho, e depois do almoço nós sairíamos para eu lhes mostrar por onde havia andado.
Saímos, e eu fiquei meio perdido por ali, porque além das ruas de terra e das árvores e mato, não conseguia encontrar nada do que havia visto antes. Nenhum lago, nenhum bambuzal, nenhum túnel, nenhum caramujo gigante. Nenhum par de praias opostas. Voltamos e ficaram todos duvidando de mim e até com certa raiva, mas eu fiquei pensativo: foi aí que eu vi que aquela cidade tinha muito mais para me mostrar do que eu poderia imaginar.

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